quinta-feira, 11 de setembro de 2008

porque é que tinha a ver com revistas

lembrei-me.

"(...) Este país foge para a esquerda, simplesmente porque durante 50 anos fugiu para a direita, é normal.O que já não é normal nem saudável é que ninguém se preocupe com isso. O Estado Novo acabou, porque uma minoria, bem organizada, motivada, e com meios limitados, conseguiu deitar o regime abaixo. Era bom que isso não acontecesse novamente, mas em sentido contrário.* Continuamos a ser dos únicos países na Europa, que mantêm no preâmbulo da Constituição “o rumo ao socialismo”. Isto é um anacronismo, que ninguém compreende, e sobretudo os ex. países de leste que levaram quase 50 anos a correr de lá com os comunistas. Um país que foge para a esquerda, é como uma criancinha com complexos, com vergonha de não ter calças de marca, vergonha de passar férias na Fonte da Telha, vergonha de ir à terra, vergonha das fotos dos avós, do croché da mãe, do autocolante do pai, do padrinho a comer caracóis, e por aí fora."**
"(...) A não ser, claro está, que o Governo seja de direita, pois aí basta o PM aparecer de perna aberta na televisão, ou esquecer-se de aparecer numa cerimónia protocolar de tomada de posse de um obscuro Secretário de Estado, que o Governo cai logo. Porque se o PM fosse de esquerda, até podia vir de escafandro para o Conselho de Ministros que o Governo ainda lá estava."

Otto Czernin
Estado Velho
(http://www.magazine.com.pt/new/modules/articles/article.php?id=123)
in MGI (Magazine Grande Informação)


* - portanto, a minoritária esquerda era bem organizada, motivada e levou a cabo uma operação que trouxe melhorias para o país. Contudo...
** - "um país que foge para a esquerda, é como uma criancinha com complexos". huh?

Eu continuo sem perceber.
Ele tem razão em muitas coisas, mas pah é para a esquerda ou para a direita que se vai bem?
Não consigo perceber...mas é..?..hum?


Patas queres explicar-me?
Só naquela de não fazer figuras à frente das pessoas...

3 comentários:

JPL disse...

Esse texto é um pequeno exercício de neo-fascismo. E porquê?

Comecemos com o que o rapaz diz de (quase) verdade:

-O país foi governado pela extrema direita mais fascista, reaccionária e conservadora durante 48 anos.
-No preâmbulo da nossa Constituição lê-se que "a Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de (...) abrir caminho para uma sociedade socialista".

Agora vamos à fantasia:
-A Revolução de 25 de Abril foi construída ao longo dos tais 48 anos por largos milhares de portugueses patrióticos (na sua maioria comunistas) e não por uma minoria. Olhar para uma revolução como foi a nossa como um acontecimento definido e restrito no espaço e no tempo é um erro histórico básico.
-O rumo ao socialismo não é um anacronismo, como ouvi tão bem dizer há poucos dias: "velho é este sistema capitalista que há séculos que espalha a morte, a fome e a miséria".
-Ser de esquerda não é ter complexos. Ser de esquerda é acreditar na humanidade e que é possível transformar o mundo para melhor. É acreditar que a história não acabou e que há melhores soluções para nos organizarmos enquanto sociedade. Ser de esquerda é não nos resignarmos às injustiças e às desigualdades e, como está na nossa constituição, prever um futuro "mais livre, mais justo e mais fraterno". Historicamente, a esquerda sempre representou o futuro, a direita sempre defendeu o passado.
-A questão da estabilidade dos governos acho que não é comentável. Compreendo isso como uma frustração por o Presidente Sampaio ter demitido o Santana quando o erro que cometeu foi tê-lo nomeado PM quando nem no seu próprio partido o queriam.

De uma forma muito simples, a premissa básica da tese do Conde Otto Czernin (para quem não sabe esse senhor, que se não me engano é o director da MGI, é um conde austríaco, apesar de ser como que português) é a seguinte: Portugal é um país que tem sido governado pela esquerda, sendo que isto o irrita, presumo que por ele ser de direita. Mas logo aqui está uma enorme falácia: o Partido Socialista, podendo afirmar-se como um partido de esquerda tem aplicado sucessivamente políticas idênticas aos governos de direita (PSD/CDS). O passado de acordos do PS com o PSD e o CDS são um bom barómetro para medir isto. Ter patrões dos patrões a aplaudir as suas medidas é outro, talvez melhor. Ele parece ser claramente de direita, apesar de tentar dar uma de democrata, mas ser democrata está na moda, nos anos 30 não estava. O Prof. Adriano Moreira foi ministro de Salazar, hoje é um grande democrata.

Por fim, o caminho é para a esquerda ou para a direita? O caminho faz-se através da dialéctica entre esquerda e direita, mas a menos que a história acabe (como muitos apregoam) caminharemos para a esquerda, ainda que por caminhos sinuosos. Correndo o risco de ser simplista, a direita defende, como sempre defendeu, o estado das coisas (não é por acaso que as pessoas mais favorecidas se aproximam por norma da direita,) enquanto a esquerda procura novos caminhos de maneira a reduzir as injustiças e, em última análise, eliminá-las.

Peço desculpa pelos preciosismos e por me ter estendido tanto, mas acho que é preferível ser claro e rigoroso (coisas que esse artigo não é).

Está esclarecida?

coiso. disse...

=))))))

estou esclarecidissima e marivilhada, as usual, pela tua escrita.

A MGI é uma revista de direita pseudo democratica que, complexada (ela sim)por ser de direita tenta parecer que é ambidestra. É aquilo de agradar a gregos e troianos ou qq coisa assim...de qualquer forma, ao ler a ultima pag da revista onde podemos ler. "compromisso com o leitor", percebe-se logo, atraves do excessivo patriotismo, para que lado é que dormem melhor.
E por acaso n sabia q o sr era conde, logo aí também já seria um sinal, ahh e melhor o Dq de Brangança tb escreve na MGI. Enfim, tudo nao passou de um falso mau estar para que tu viesses paqui falar de coisas interessantes com essa tua linguagem q me remete para a tal camisola do Che...ahaha tou a gozar...mas gosto.

é mais ou menos isto n é? xD**

JPL disse...

é isso mesmo com a tal camisola do Che xD